quarta-feira, 29 de outubro de 2014

HISTÓRIA DA COSTA RICA

A relativa prosperidade econômica e a estabilidade política, assim como o forte enraizamento da tradição cultural hispânica, caracterizam a pequena república centro-americana da Costa Rica.
Situada na porção meridional do istmo da América Central, a Costa Rica limita-se com o mar do Caribe a leste, com o oceano Pacífico ao sul e a oeste, com a Nicarágua ao norte e com o Panamá a sudeste. A superfície do país é de 51.100km2.
A Costa Rica foi descoberta e provavelmente batizada por Cristóvão Colombo, em sua quarta viagem à América, em 1502. Havia na região cerca de trinta mil indígenas, divididos em três grupos: güetares, chorotegas e borucas. Encontrados os primeiros indícios de ouro, usado em ornamentos indígenas, os espanhóis planejaram um núcleo de colonização sob o comando de Bartolomé Colombo, irmão do descobridor. Expulsos logo a seguir pelos indígenas, só conquistaram a região em 1530. Antes de tornar-se província da capitania-geral da Guatemala, em 1540, Costa Rica chamava-se Nova Cartago. Os limites demarcatórios foram fixados entre 1560 e 1573.
Independência. A Costa Rica tornou-se independente a 15 de setembro de 1821 e três anos depois uniu-se, por pouco tempo, ao México. Em 1824 passou a integrar a Federação Centro-Americana, dissolvida em 1838. Nessa época teve início a exportação de café para a Europa, e San José viveu um período de intenso crescimento e prosperidade. Durante a administração do general Tomás Guardia, que governou despoticamente o país entre 1870 e 1882, a Costa Rica atingiu notável desenvolvimento econômico. Incrementou-se o comércio de açúcar e café, construíram-se ferrovias e abriram-se portos para escoar a produção. As plantações de banana, controladas a partir de 1899 pela United Fruit Co., passaram a rivalizar em importância econômica com as de cana-de-açúcar e café. Em 1890 tornou-se presidente José Joaquín Rodríguez; sua eleição foi considerada a primeira inteiramente livre e sem fraudes na América Latina e inaugurou uma tradição de democracia na Costa Rica.
Século XX. O voto direto foi instituído em 1913, mas o candidato à presidência mais votado não conseguiu a maioria e a Assembléia Legislativa  elegeu Alfredo González Flores. Em 1917, um movimento liderado pelo general Federico Tinoco depôs o presidente constitucional e instituiu uma ditadura. Dois anos mais tarde, Tinoco foi forçado a renunciar por pressões internas e do governo americano, que não reconhecera o regime. Sucederam-se presidentes eleitos até 1948, ano em que os resultados eleitorais foram contestados por grupos de esquerda, o que desencadeou a breve guerra civil que levou José Figueres Ferrer ao poder. A junta revolucionária que assumiu o governo aboliu o Exército e criou uma guarda civil, elaborou nova constituição e empossou o candidato vitorioso nas urnas, Otilio Ulate Blanco. Em 1953, José Figueres voltou ao poder, nacionalizou os bancos, impôs restrições à United Fruit e enfrentou uma invasão lançada por seus adversários exilados na Nicarágua. Figueres inscreveu seu nome na história do país com várias décadas dedicadas às reformas sociais, à abertura política para o exterior e aos ideais social-democratas.
Ao longo da década de 1980, a Costa Rica preservou seu regime político, baseado no poder civil legitimado por eleições, mas se enredou em problemas  econômicos e financeiros, dos quais o mais premente foi a dívida externa. No início da década, o país gastava 50% de sua receita de exportação com as despesas financeiras geradas pela dívida. Em maio de 1986, o governo chegou a anunciar uma moratória temporária sobre os juros da dívida externa e, no ano seguinte, lançou um programa de austeridade para tentar salvar as finanças nacionais.

A posição internacional da Costa Rica, que manteve alto grau de independência em relação aos grandes blocos de poder, deu-lhe condições de atuar com bons resultados no âmbito regional. O presidente Oscar Arias Sánchez, eleito em 1986, teve papel de destaque na mediação das guerras civis na Nicarágua e em El Salvador e por seu esforço foi-lhe concedido o Prêmio Nobel da paz em 1987. Em 1989 realizou-se em San José a primeira reunião de cúpula interamericana em 22 anos, para comemorar o centenário da democracia na Costa Rica. Em 1990 Arias foi sucedido por Rafael Angel Calderón Fournier, da oposição.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O SORRISO DE MONALISA

Alguns especialistas chegaram a comparar “O Sorriso de Mona Lisa” ao vibrante e inspirador “Sociedade dos Poetas Mortos”, diziam que esse recente sucesso de Julia Roberts seria a versão feminina do bem-sucedido filme estrelado por Robin Williams e dirigido por Peter Weir. Talvez tenham sido iludidos pela atmosfera dos anos 1950 e pelo ambiente fechado de uma escola para moças, referências parecidas com aquelas percebidas em “Sociedade dos Poetas Mortos” (diferenciando-se apenas pelo fato de que “Sociedade” tem como pano de fundo uma escola de Ensino Médio, exclusiva para garotos, enquanto “Mona Lisa” retrata uma faculdade para moças).
 A despeito de eventuais semelhanças, “Mona Lisa” não é um filme cujo principal enfoque está na educação libertadora, esclarecedora, em que se pretende que os estudantes percebam a riqueza da literatura ou da poesia como elementos definidores da essência da humanidade. Há alguns momentos e ações que nos levam a crer que a personagem Katherine Watson, vivida por Julia Roberts, tem perfil assemelhado ao do professor John Keating (Robin Williams) do filme de Weir (“Sociedade”).
 Ela também está imbuída da idéia de que através de suas aulas é possível dar maior autonomia e preparo para que suas alunas enfrentem o mundo. Sua personagem também é obrigada a renovar o fôlego do curso que ministra com algumas variações didáticas pouco comuns ao universo da faculdade em que trabalha. A jovem professora de história da arte vivida por Roberts é, entretanto, muito mais que uma profissional em busca de renovação em seu trabalho pedagógico, ela é o protótipo de mulher moderna, livre, desimpedida e que quer quebrar as barreiras do mundo machista em que vive.
 Julia encarna um feminismo antecipado em alguns anos. É uma mulher que está além de seu tempo e que não se conforma com o fato de suas alunas irem a faculdade para estudar sem as perspectivas futuras de tornarem-se profissionais e ingressarem no mercado de trabalho. Não há outro desejo nas estudantes que freqüentam suas aulas senão o de se tornarem futuras esposas, dedicadas e preparadas para transformar a vida de seus maridos numa existência confortável onde as aparências são mantidas (mesmo que cinicamente) a qualquer custo (ainda que isso signifique o sacrifício de suas honras e esperanças).
 “O Sorriso de Mona Lisa” é um libelo em favor da emancipação das mulheres e uma pesada crítica ao conformismo que imperava entre as representantes do sexo feminino durante os anos 1940 e 1950. Olhamos para trás e percebemos que por trás de toda aparente felicidade dos lares americanos daquele período existiam mulheres restringidas em suas capacidades mesmo depois de terem sido convidadas a participar mais ativamente da sociedade em que viviam durante os anos da 2ª Guerra Mundial (quando os homens foram aos campos de batalha enfrentar os nazistas na Europa e muitas das funções exercidas por eles foram repassadas para mulheres).
 A emancipação do jugo masculino, oferecida em virtude dos conflitos vividos em terras européias, era um blefe, uma necessidade de momento, em relação a qual houve um retrocesso considerável na década seguinte. “O Sorriso de Mona Lisa” nos leva a esse universo mascarado e também ao esforço de algumas mulheres (personificadas na professora de história da arte vivida pela estrela Julia Roberts) para não deixar que as conquistas de alguns anos atrás fossem perdidas para sempre...
 O Filme
 Katherine Watson (Julia Roberts) é uma jovem professora de história da arte contratada por uma tradicional escola preparatória de jovens mulheres para ingressar em universidades. O Wellesley College realiza uma prática tradicional no ensino de 3° Grau nos Estados Unidos ao preparar de uma forma geral e ampla seus alunos para as escolhas profissionais especializadas que seguirão nas universidades. Há vários cursos oferecidos e os estudantes têm a opção de escolher aqueles que mais lhes agradam e se relacionam com as profissões que pretendem exercer no futuro.
 Watson entra na instituição motivada pela possibilidade de fazer com que suas estudantes estejam bem preparadas não apenas para os futuros cursos universitários pelos quais irão optar, mas também para o exercício de cidadania e igualdade de oportunidades que deve imperar na sociedade americana. Ela mesma se sente parte da realização desses sonhos. É independente, não se casou (o que motiva comentários maldosos ao longo de sua estadia no Wellesley College), se sente profissionalmente estimulada a cada novo desafio proposto a ela,...
 O que ela não imaginava era que iria encontrar em suas alunas o sonho conformista de um casamento feliz sem qualquer perspectiva profissional ou mesmo de aprofundamento nos estudos. Desafiada pelas estudantes em virtude de sua juventude, a professora de história da arte tem que comprovar sua qualidade profissional a cada nova aula, entretanto a despeito de sua luta particular, sente que seus esforços não redundarão num compromisso de superação da submissão das jovens a sociedade marcadamente machista em que vivem.
 Ao invés da perspectiva de uma vida de realizações pessoais e profissionais conciliada com um casamento equilibrado, as moças parecem mais dispostas a servir de suporte para o sucesso de seus maridos e se conformar com o conforto material e a prosperidade financeira obtida pelos mesmos. O sonho da maioria delas é ter uma casa equipada com as novidades mais recentes em eletrodomésticos e uma festa de casamento celebrando socialmente uma união feliz e eterna (mesmo que isso signifique aceitar traições e ter que continuar sorrindo e fingindo desconhecimento de causa).
 “O Sorriso de Mona Lisa” é instigante por nos mostrar o cinismo e a hipocrisia que reinavam em muitos lares americanos onde as mulheres eram passadas para trás e nem ao menos podiam correr atrás de suas realizações pessoais e profissionais. Parece mais com “Beleza Americana” com algumas pitadas do sonho de “Sociedade dos Poetas Mortos” percebidas na professora Katherine Watson. Ainda bem que as mulheres conseguiram superar tudo isso...