terça-feira, 21 de outubro de 2014

O SORRISO DE MONALISA

Alguns especialistas chegaram a comparar “O Sorriso de Mona Lisa” ao vibrante e inspirador “Sociedade dos Poetas Mortos”, diziam que esse recente sucesso de Julia Roberts seria a versão feminina do bem-sucedido filme estrelado por Robin Williams e dirigido por Peter Weir. Talvez tenham sido iludidos pela atmosfera dos anos 1950 e pelo ambiente fechado de uma escola para moças, referências parecidas com aquelas percebidas em “Sociedade dos Poetas Mortos” (diferenciando-se apenas pelo fato de que “Sociedade” tem como pano de fundo uma escola de Ensino Médio, exclusiva para garotos, enquanto “Mona Lisa” retrata uma faculdade para moças).
 A despeito de eventuais semelhanças, “Mona Lisa” não é um filme cujo principal enfoque está na educação libertadora, esclarecedora, em que se pretende que os estudantes percebam a riqueza da literatura ou da poesia como elementos definidores da essência da humanidade. Há alguns momentos e ações que nos levam a crer que a personagem Katherine Watson, vivida por Julia Roberts, tem perfil assemelhado ao do professor John Keating (Robin Williams) do filme de Weir (“Sociedade”).
 Ela também está imbuída da idéia de que através de suas aulas é possível dar maior autonomia e preparo para que suas alunas enfrentem o mundo. Sua personagem também é obrigada a renovar o fôlego do curso que ministra com algumas variações didáticas pouco comuns ao universo da faculdade em que trabalha. A jovem professora de história da arte vivida por Roberts é, entretanto, muito mais que uma profissional em busca de renovação em seu trabalho pedagógico, ela é o protótipo de mulher moderna, livre, desimpedida e que quer quebrar as barreiras do mundo machista em que vive.
 Julia encarna um feminismo antecipado em alguns anos. É uma mulher que está além de seu tempo e que não se conforma com o fato de suas alunas irem a faculdade para estudar sem as perspectivas futuras de tornarem-se profissionais e ingressarem no mercado de trabalho. Não há outro desejo nas estudantes que freqüentam suas aulas senão o de se tornarem futuras esposas, dedicadas e preparadas para transformar a vida de seus maridos numa existência confortável onde as aparências são mantidas (mesmo que cinicamente) a qualquer custo (ainda que isso signifique o sacrifício de suas honras e esperanças).
 “O Sorriso de Mona Lisa” é um libelo em favor da emancipação das mulheres e uma pesada crítica ao conformismo que imperava entre as representantes do sexo feminino durante os anos 1940 e 1950. Olhamos para trás e percebemos que por trás de toda aparente felicidade dos lares americanos daquele período existiam mulheres restringidas em suas capacidades mesmo depois de terem sido convidadas a participar mais ativamente da sociedade em que viviam durante os anos da 2ª Guerra Mundial (quando os homens foram aos campos de batalha enfrentar os nazistas na Europa e muitas das funções exercidas por eles foram repassadas para mulheres).
 A emancipação do jugo masculino, oferecida em virtude dos conflitos vividos em terras européias, era um blefe, uma necessidade de momento, em relação a qual houve um retrocesso considerável na década seguinte. “O Sorriso de Mona Lisa” nos leva a esse universo mascarado e também ao esforço de algumas mulheres (personificadas na professora de história da arte vivida pela estrela Julia Roberts) para não deixar que as conquistas de alguns anos atrás fossem perdidas para sempre...
 O Filme
 Katherine Watson (Julia Roberts) é uma jovem professora de história da arte contratada por uma tradicional escola preparatória de jovens mulheres para ingressar em universidades. O Wellesley College realiza uma prática tradicional no ensino de 3° Grau nos Estados Unidos ao preparar de uma forma geral e ampla seus alunos para as escolhas profissionais especializadas que seguirão nas universidades. Há vários cursos oferecidos e os estudantes têm a opção de escolher aqueles que mais lhes agradam e se relacionam com as profissões que pretendem exercer no futuro.
 Watson entra na instituição motivada pela possibilidade de fazer com que suas estudantes estejam bem preparadas não apenas para os futuros cursos universitários pelos quais irão optar, mas também para o exercício de cidadania e igualdade de oportunidades que deve imperar na sociedade americana. Ela mesma se sente parte da realização desses sonhos. É independente, não se casou (o que motiva comentários maldosos ao longo de sua estadia no Wellesley College), se sente profissionalmente estimulada a cada novo desafio proposto a ela,...
 O que ela não imaginava era que iria encontrar em suas alunas o sonho conformista de um casamento feliz sem qualquer perspectiva profissional ou mesmo de aprofundamento nos estudos. Desafiada pelas estudantes em virtude de sua juventude, a professora de história da arte tem que comprovar sua qualidade profissional a cada nova aula, entretanto a despeito de sua luta particular, sente que seus esforços não redundarão num compromisso de superação da submissão das jovens a sociedade marcadamente machista em que vivem.
 Ao invés da perspectiva de uma vida de realizações pessoais e profissionais conciliada com um casamento equilibrado, as moças parecem mais dispostas a servir de suporte para o sucesso de seus maridos e se conformar com o conforto material e a prosperidade financeira obtida pelos mesmos. O sonho da maioria delas é ter uma casa equipada com as novidades mais recentes em eletrodomésticos e uma festa de casamento celebrando socialmente uma união feliz e eterna (mesmo que isso signifique aceitar traições e ter que continuar sorrindo e fingindo desconhecimento de causa).
 “O Sorriso de Mona Lisa” é instigante por nos mostrar o cinismo e a hipocrisia que reinavam em muitos lares americanos onde as mulheres eram passadas para trás e nem ao menos podiam correr atrás de suas realizações pessoais e profissionais. Parece mais com “Beleza Americana” com algumas pitadas do sonho de “Sociedade dos Poetas Mortos” percebidas na professora Katherine Watson. Ainda bem que as mulheres conseguiram superar tudo isso...


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A VIDA DE ALEXANDRE, O GRANDE

A vida do maior líder militar da Antiguidade revela as investidas de um conquistador nato, temperamental e inquieto mesmo fora dos campos de batalha
Celso Miranda e Ernani Fagundes | 01/02/2011 12h42

Nos últimos anos, as produções de Hollywood têm mostrado, como nunca, a vida íntima de personagens históricos. E sem muito compromisso com a verdade. Mas, antes de jogar pedra na liberdade criativa dos cineastas, vale lembrar que antes deles, por exemplo, pintores criaram a imagem de Alexandre III, o Grande, como um cara bonitão, sarado e inspirador. Quem assiste a Alexandre (Oliver Stone, 2004) é tão inocente quanto os apreciadores dos artistas do século 17, que o mostram em haréns ou promovendo bacanais. Numa recente polêmica sobre a presença de gays no Exército brasileiro, um ex-sargento desavisado, certamente influenciado pelo cinema, garantiu que o soberano era homossexual. Onde estará a verdade? Onde investigar para conhecer melhor a vida privada de Alexandre e sua personalidade? A forma mais segura é mirar os textos que compilaram os originais do grego para o latim, como fizeram os historiadores romanos, ou os fragmentos gregos escritos por fontes diretas que conviveram com o rei (isso não garante a verdade absoluta, claro, mas reduz o risco de bobagens) e procurar evidências que comprovem ou desmintam o que lhe é atribuído. É o monarca que surge daí que você conhece a seguir.
Alexandre sempre foi retratado por historiadores gregos e romanos como um homem cortês e respeitoso com as mulheres. Até os 20 anos, porém, não parecia preocupado com descobertas amorosas. Sua vida era controlada pela mãe, Olímpia, que vigiava sua educação e saúde. "Como qualquer mãe, a rainha anotava a altura e o peso do príncipe e acompanhava seu crescimento", diz Victor Davis Hanson, da Universidade de Chicago. Alguns autores concluem por isso que o rapaz era pequeno para a idade, ou Olímpia, superprotetora. Aos 13 anos, ele foi entregue ao pai, o rei Felipe II, da Macedônia, que determinou sua rigorosa educação militar. "Alexandre teve ainda lições de matemática, retórica e filosofia com Aristóteles", afirma Hanson. O tutor foi influência decisiva na formação do soberano, mas eles podiam ter visões de mundo distintas. Até sobre as mulheres (leia à pág. 31). O historiador romano Diodoro Sículo, que viveu no século 1 a.C. (200 anos depois da morte de Alexandre, em 323 a.C.) diz que, após o assassinato de Felipe, em 336 a.C., o jovem rei foi aconselhado pelos generais de seu pai, Antípatro e Parmênio, a se casar e a produzir um herdeiro aos 20 anos. Ele, que iria partir para o Oriente numa campanha militar histórica contra os persas, preferiu continuar solteiro: "Seria uma vergonha, apontou, depois de citar que tinha sido nomeado pela Grécia para comandar a guerra e herdado forças invencíveis de seu pai, ficar em casa comemorando um casamento e aguardando o nascimento de uma criança", escreveu Diodoro.
No entanto, o moço não era alheio ao charme feminino. Plutarco, escritor grego do século 1, relata que, após a destruição de Tebas, Alexandre deixou que uma mulher, Timocleia, partisse da cidade só porque, com o perdão do trocadilho, não tinha nada de mocreia: "Vendo-lhe o rosto, o porte e o andar, a princípio julgou que era uma dama de honra, enquanto ela caminhava com segurança (...) Maravilhado, mandou que a deixassem ir em liberdade para onde quisesse".
Ao pé da letra, os textos históricos garantem: a primeira mulher que Alexandre conheceu in natura foi a bela Barsena, viúva de seu inimigo Mêmnon, comandante das tropas mercenárias gregas e persas na batalha do rio Granico. Ela foi apresentada após a captura do tesouro real persa de Dario III, em Damasco. Segundo Plutarco, ela "era sábia em literatura grega, doce e graciosa (...). Alexandre conheceu-a por sugestão de Parmênio, conforme escreve Aristóbulo, que lhe solicitou travasse relações com tão bela e nobre dama". Na narrativa de Aristóbulo (contemporâneo de Alexandre), a insistência do general Parmênio em conseguir uma mulher para seu rei faz supor que ela inicia o rapaz no amor, aos 23 anos, em 333 a.C.
Depois ele não parou mais e até foi seduzido pelos pedidos femininos. A amante de seu amigo e general Ptolomeu, a africana Taís, lhe dirigiu gracejos no palácio de Persepólis durante uma bacanal (a festa de Baco, o deus do vinho) - "Um festim de músicas a que até as concubinas de seus amigos compareceram" - e ele, embriagado, atendeu, mandando botar fogo na cidade para depois arrepender-se da destruição (leia às págs. 32 e 33). Mas o auge de seu encantamento pelas mulheres acontece após a morte de Dario. Sem a preocupação de enfrentar um grande oponente no campo de batalha, adotou o costume persa do harém. Diodoro relata que ele reuniu concubinas "em número não inferior aos dias do ano e destaque em beleza, selecionadas de todas as mulheres da Ásia. Cada noite, elas desfilavam em torno do divã do rei para que ele pudesse selecionar aquela com quem iria ficar à noite". A fama do harém correu o mundo helênico e gerou até a lenda de que uma rainha amazona chamada Thallestris foi a seu encontro no acampamento da fronteira da Hyrcânia (veja à pág. 34) com o intuito de conseguir um filho e se "consorciou com ele por 13 dias". Plutarco investigou as fofocas e deu a versão de Ptolomeu: "Dizem que tudo isso é falso (...) e parece que Alexandre mesmo, disso dá o seu testemunho porque, escrevendo a Antípatro (...) ele lhe diz que o rei da Cítia lhe queria dar a filha em casamento, mas não faz menção alguma a amazonas".
Vários costumes assumidos por Alexandre causavam estranheza aos companheiros. "O rei foi muito criticado pelo fato de exigir de seus súditos que se prostrassem diante dele. Isso horrorizava os gregos. Para eles e até entre seus generais macedônios, os costumes orientais utilizados por Alexandre eram traços que representavam a barbárie", diz Maria Beatriz Borba Florenzano, diretora do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. "Ele chocou os gregos com um conceito muito avançado para a época. Ao aceitar orientais para seu Exército, disse, na Babilônia, que todos os homens são iguais", afirma o historiador José Luciano Cerqueira, da UFPE.

Marketing pessoal

O que se pode dizer da personalidade de alguém que se tornou general aos 16 anos, rei aos 20 e subjugou um império? Ele não apenas adotou e impôs novos costumes, como também promoveu um intenso intercâmbio cultural entre o Ocidente e o Oriente. "Alexandre foi um grande difusor do conceito de helenidade e seu sistema de propaganda está presente em esculturas (como as de seu escultor pessoal, Lísipo) e em moedas que mandou cunhar. Utilizava essas imagens para mostrar sua força física e o vigor em suas vitórias", diz Florenzano. "Costumava usar nas moedas as imagens de Zeus e Athena, seus deuses protetores, e também a do herói Hércules, que, na prática, era o retrato de Alexandre disfarçado." Cunhada ou esculpida, sua feição remetia ainda à de um leão.

De acordo com José Cerqueira, havia dois tipos de grego: os apolíneos (de Apolo), voltados à razão, e os dioníseos (de Dionísio, equivalente a Baco). "Alexandre estava nesse segundo grupo (como se vê pelas bacanais, que adorava). Sua ansiedade de conquistar tudo o angustiava", diz Cerqueira. "Ele tinha uma presença de espírito muito grande. Antes do início da campanha, ele foi consultar um oráculo. A pitonisa o mandou esperar na fila. Ele foi lá várias vezes, puxá-la pelo braço, para que fosse atendido. Depois de muita insistência, ela reclamou com ele: Com você, Alexandre, não há quem possa. Ele retrucou: Não preciso de mais respostas, já me disse o que precisava saber."

Muitos casamentos

Alexandre abandonou todas as suas concubinas quando se apaixonou por Roxana, filha do rei bactriano Oxyartes, irmão de Dario. Grande dançarina, ela o enfeitiçou numa apresentação assim que se conheceram. Foi seu primeiro casamento. Ainda durante a campanha na Índia, Aristóbulo relata que ele se casou com Parysatis, a filha caçula de um rei chamado Ochus, mas dela nada mais se sabe. Provavelmente, o ciúme de Roxana (ele sim relatado) deixou a rival no meio do caminho. De volta da Índia, Alexandre se casou em Susa com a filha mais velha de Dario, Estatira, e também com a mais nova, Barsine. Historiadores gregos e romanos alegam que esses casamentos eram uma forma política de Alexandre legitimar o trono persa (ou seja, uma jogada diplomática) e resultado de seu descontentamento por Roxana demorar a lhe conceder um herdeiro. Para o historiador grego Arriano, Alexandre mostrou o interesse de ter herdeiros. "Ele desejava que seus filhos e os de Heféstion fossem primos de primeiro grau." O rei aproveitou a ocasião de seu casamento com Estatira e Barsine para casar os seus companheiros de batalha (Heféstion, Crátero, Pérdicas, Ptolomeu, Eumênio, Nearcos e Selêuco) e, afirma Diodoro, a festa de núpcias foi sensacional: "Ele repartiu igualmente todas as demais damas persas, de sangue nobre e da mais alta linhagem, aos maiores de seus amigos. (...) Nesse banquete, escreve-se que havia 9 mil pessoas sentadas à mesa e a cada uma delas foi dada uma taça de ouro".
Segundo Plutarco, quem não gostou dos casamentos foi Roxana. Após a morte do marido, em 323 a.C., ela tratou de eliminar as concorrentes. Grávida do rei, enganou Estatira, forjando uma carta de Alexandre. Chamou-a ao palácio e "matou-a, ela e sua irmã mais nova, e depois jogou-lhes o corpo dentro de um poço". Quem diria! Quatro esposas rainhas e um harém. Alexandre era mesmo um grande conquistador.


Amor materno

Longe de Olímpia, ele adotou novas mães por onde passava
A pioneira no coração de Alexandre, claro, foi Olímpia, sua mãe e primeira esposa de Felipe II. Plutarco a retratou como uma feiticeira que criava serpentes, mas também como uma mãe que defendia o trono do filho e Alexandre a amava muito por isso. Mas a relação foi abalada após suspeitas investigadas por Aristóteles sobre a morte de Felipe: é que ela ordenou o assassinato da segunda esposa do marido. Alexandre partiu à Ásia brigado com a mãe, mas fizeram as pazes por cartas. Nelas, ela dava conselhos, demonstrava ciúme de Heféstion e não aceitava as noras como rainhas. Acabou assassinada após a morte do filho. Na Ásia, Alexandre "adotou" várias "mães". A primeira foi Ada, regente da Cária, durante a campanha na Ásia Menor. Obteve, assim, segundo Diodoro, o apoio dos carianos contra os persas. Ela costumava mimá-lo, oferecendo quitutes. Já Sisygambis, a mãe de Dario, foi tratada como rainha-mãe após a vitória na batalha de Issus. Alexandre manteve regalias e a nomeou tutora das netas, com quem se casaria mais tarde. Ao saber da morte do rei, ela teria se suicidado parando de comer. "Ele tratava muito bem as mulheres. Diferentemente de seu tutor, Aristóteles, que as igualava a escravos e bárbaros", diz José Cerqueira.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

GUERRA DO PRATA

A Guerra contra Oribe e Rosas  ou também conhecida como Guerra do Prata  aconteceu entre 1851 e 1852 na região do rio do Prata, um estuário criado pelos rios Paraná e Uruguai. O Brasil já havia lutado anteriormente na Guerra da Cisplatina (1825-1828) contra as Províncias Unidas do Rio da Prata que resultou na criação do Uruguai.
 O primeiro personagem dessa guerra que inclusive dá nome a Guerra, é Juan Manuel de Rosas que foi eleito o governador de Buenos Aires, uma das províncias mais ricas e populosas e ainda contava com um importante porto na época. Seu governo era o de um perfeito ditador, caracterizado pela corrupção e resultando em uma emigração em massa de 14 mil opositores. Os planos de Rosas eram audaciosos, ele queria recriar o antigo Vice-Reinado do Prata, que abrangia territórios do Uruguai, Paraguai e Bolívia e garantir assim que a Argentina se tornasse a principal potência da América do Sul.
 Quanto ao Paraguai, Rosas logo resolveu este problema. Este país declarou sua independência em 1811, mas nenhum outro o reconheceu. O ditador paraguaio José Gaspar Rodríguez de Francia isolou o país, evitando contatos com o exterior e possíveis ações diplomáticas. Quando este morreu, Carlos Antonio López o sucedeu e abriu as suas portas para a Argentina assinando dois tratados, porém como o ditador Rosas não estava para brincadeira se recusou de reconhecer o Paraguai como independente e criou barreiras para o comércio deste país.
 O Uruguai antiga província Cisplatina, também enfrentava problemas, mas nas eleições para o seu primeiro presidente. De um lado o candidato Fructuoso Rivera, do partido Colorado e do outro o responsável pela independência da Cisplatina, Juan Antonio Lavalleja, do partido Blanco. Rivera num ato de desespero tentou tomar o poder a força, o que durou dois anos (1830-1832) e finalmente conseguiu a presidência que tanto desejava.
 Depois de cumprir seu mandato até 1835, Manuel Oribe também do partido Blanco assumiu o poder por alguns anos, já que renunciou em 1839 deixando o posto livre novamente para Rivera.
 O ditador argentino enviou um exército liderado por Lavalleja que não teve êxito. Rosas então enviou outro exército com a ajuda de argentinos e de uruguaios liderados por Oribe. Desta vez Rivera não teve tanta sorte e procurou exílio no Brasil, enquanto mais de trinta mil pessoas eram mortas.
 Mesmo com o Uruguai em suas mãos, Rosas queria mais e passou a atacar o Sul do Brasil. O Brasil, cujo imperador era Dom Pedro II, então teve que tomar as suas medidas. Mandou uma parte do seu exército para o Sul e tinha como plano financiar os oponentes. A aliança começou a ser formada, Dom Pedro contava com o apoio da Bolívia, Paraguai (sendo que o Brasil enfim reconheceu a sua independência), Uruguai (opositores internos) e com as duas províncias argentinas: Entre Rios e Corrientes.
 O exército brasileiro se armou para o confronto, uma parte ficou na fronteira para protegê-la e outra foi para o Uruguai tirar Oribe do poder. No dia 19 de outubro de 1851, diante do tamanho do exército que vinha ao seu encontro, Oribe se rende sem luta.
 Então as forças armadas seguem rumo a Argentina para tirar Rosas do poder. Chegam próximo de Buenos Aires no dia 1º de fevereiro de 1852 e derrotam a primeira força rosista que encontram. Dois dias depois, houve uma nova batalha chamada de Batalha de Monte Caseros, sendo que desta vez o exército argentino era liderado pessoalmente por Rosas. Os aliados ganharam a disputa e Rosas fugiu para o Reino Unido, sem que ninguém soubesse.
 A Guerra Contra Oribe e Rosas foi importante para o Brasil, já que na época enfrentava-se a vontade do Rio Grande do Sul de se separar do país, mas com este estado participando ativamente, fez com que se integrasse de vez ao Brasil. Além disso, provou a hegemonia do país e a sua estabilidade política e econômica.
Cristine Delphino 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

ACONTECEU EM OUTRUBRO

No dia 7 de outubro de 1913, o empresário Henry Ford, cria a primeira linha de montagem móvel, revolucionando o processo industrial.




No dia 9 de outubro de 1967, o revolucionário Che Guevara é capturado e executado durante ação militar na Bolívia.



Em busca de uma rota alternativa para as Índias, o navegador genovês Cristóvão Colombo, desembarca na região das atuais Bahamas, era o "Descobrimento da América", no dia 12 de outubro de 1492.(Fonte: Revista Aventuras na História, ed. 135, outubro de 2014, p.10).